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Não tenho aparecido aqui pelo meu cantinho porque os últimos dias têm sido muito duros em termos de trabalho... deadlines a apertar...
E isto tem-me feito pensar naquele chavão que aí anda sobre "work life balance", e os modelos de sustentabilidade e responsabilidade social das empresa e afins...
A verdade é que trabalhar, ou seja não ter apenas 1 emprego, ter 1 vida profissional activa, ter aquilo a eu gosto de pensar que é uma carreira... ou seja um trabalho do qual gosto e que me realiza, que me entusiasma por 1 série de razões... e conciliar essa vida profissional com 1 vida familiar equilibrada é muito, muito díficil...
É que dá tudo muito trabalho... mesmo muito trabalho... o trabalho (pela sua própria definição...) dá trabalho e quando nos entregamos a uma coisa não é fácil abstrairmo-nos... se passo o dia a tentar resolver 1 problema, como é que apenas por entrar no carro me desligo imediatamente desse problema e me concentro noutro problema qualquer (o quê para o jantar? lavar roupa que os miudos já não têm bibe lavado para o dia a seguir?...)... Como?
E depois a vida familiar também dá muito trabalho... há 1 parte que dá trabalho que é a da logística familiar (tarefas domésticas, horários, supermercados, empregada, etc...) e depois a própria vida familiar também dá trabalho... dá trabalho ter paciência para aquela birrinha que vem antes do banho, dá trabalho ter 1 conversa interessante com o outro cá em casa, dá trabalho ter energia para as mil e 1 coisas que gostamos de fazer... às vezes apetece apenas ficar no sofá 1 bocadinho, quietinha sem ninguém por perto... sem ser suposto estar a fazer nada... apenas a estar... a existir...
Falo do trabalho que as coisas dão... não porque não goste delas... mas porque significa que temos que nos entregar às coisas... é a única maneira de funcionar e nos sentirmos mais plenos, mais completos...
Falo em trabalho, não para me queixar... mas porque é mesmo assim... as coisas dão trabalho...
Se não nos empenhamos a relação com o outro não funciona... caímos no silêncio, na rotina... Se não nos empenhamos os nossos filhos sentem isso e afastam-se... Se não nos empenhamos os amigos vão-se... afinal é tão fácil acabar por não ter tempo para eles... Se não nos empnhamos no trabalho as coisas não aparecem feitas... e não nos sentimos bem connosco...
Qual é que é o problema? O problema não é o empenho... é o equilíbrio entre tudo... é definir fronteiras... e normalmente o trabalho trabalho invade a vida familiar... e qual é a regra para saber quando já estamos a dar demais à empresa? Que regras podemos nós estabelecer? Que limites podemos nós definir?
Decidir que depois das 7 não trabalhamos mais? Que objectivos podemos traçar? Que indicadores podemos medir?
Ler 1 livro por mês?
Brincar com os G´s 2 horas por dia?
Almoçar 2x por semana com amigos?
Ver 1 filme por semana?
Trabalhar apenas (e cumprir!) 8 horas por dia?
Ou continuar tudo como está... sentir-me muito cansada de vez em quando e vir até aqui e escrever sobre isso?...
4 comentários:
Tu...não existes.
Já falámos algumas vezes sobre isto...e ainda ontem te disse como resolvi (mesmo que muito parcialmente este problema.
Beijos...
Chiça!
Eu acho que é mesmo a última hipótese...
Beijinho
Como sabes ainda não comecei a trabalhar e já penso nisto tudo...quando me dedico, dedico de corpo e alma a tudo...será que temos que criar novas regras, horários a nós próprios?
Relativamente ao trabalho já me vou mentalizando que terá que ser... a ver vamos!
Bjs
É muito caro trabalhar. O trabalho, todo ele, continua e continuará a aumentar de preço. O problema é que esta contabilização (a mais importante de todas) não é feita em unidades monetárias...
Suponho que seja necessária uma perspectiva bem distanciada para gerir tudo isto. Tu pareces tê-la... assim o trabalho to permita....
Brac.
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